Segurança · 6 de novembro de 2026
Ataques cibernéticos simultâneos afetam redes de supermercados na Europa e levam a investigação nos Estados Unidos
Hackers manipularam remotamente sistemas de refrigeração em supermercados de vários países europeus, causando o descarte em massa de alimentos. O ataque ocorreu simultaneamente em pelo menos oito nações, incluindo Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Irlanda e Estônia, e atingiu grandes redes de varejo. A investigação paralela nos Estados Unidos sugere que instalações militares também podem ter sido alvo de uma ofensa cibernética semelhante.
A operação técnica consistiu no aumento remoto da temperatura de equipamentos de refrigeração e congelamento conectados à internet. Em um supermercado na Suécia, a temperatura de um freezer atingiu cinquenta graus Celsius, o que resultou na deterioração dos produtos. A extensão do dano físico exigiu o descarte de grandes quantidades de alimentos em toda a região europeia.
As redes varejistas atingidas incluem a Carrefour, a Delhaize, a Coop e a ICA, além de uma loja da IKEA na Bélgica. No Reino Unido, tentativas de ataque contra uma pequena empresa de processamento de carnes foram registradas, embora os danos tenham sido limitados. A coordenação dos ataques em múltiplos países ao mesmo tempo destaca a escala da vulnerabilidade explorada.
O incidente atual segue o mesmo padrão de um ataque anterior ocorrido em 12 de outubro na França. Naquela ocasião, pelo menos trezentas e cinquenta lojas, incluindo as redes Intermarché e Coopérative U, foram afetadas. As estimativas indicam que os prejuízos financeiros podem atingir dezenas de milhões de euros. As autoridades francesas iniciaram uma investigação, mas não identificaram os responsáveis até o momento.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Defesa investiga falhas em sistemas de congelamento em pelo menos seis bases militares, incluindo Fort Irwin na Califórnia e Fort Huachuca no Arizona. O órgão suspeita que as falhas, ocorridas em agosto, sejam resultado de um ataque cibernético. A investigação é conduzida em colaboração com outras agências governamentais e forças de aplicação da lei, com troca de informações com as autoridades francesas.
A natureza do ataque difere de violações de dados tradicionais, pois visa alterar o estado físico de equipamentos industriais. Os especialistas acreditam que os invasores exploraram vulnerabilidades em sistemas de gestão de refrigeração ou senhas fracas. A falta de atualizações de segurança em equipamentos de tecnologia operacional conectados à internet cria riscos significativos para infraestruturas críticas.
A Agência Europeia para a Cibersegurança, a ENISA, enfatizou a necessidade de cooperação e compartilhamento rápido de informações entre os países membros. As empresas afetadas estão desconectando os equipamentos da internet ou aplicando atualizações de segurança. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques, e não há evidências de envolvimento estatal. A ausência de exigências financeiras sugere que o objetivo pode ser causar confusão social e danos econômicos.