Segurança · 5 de novembro de 2026
Também publicado em Polski
Ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração de supermercados na Europa causam perda de alimentos
Ataques cibernéticos contra sistemas de controle de temperatura em redes de supermercados na Europa resultaram no aumento anormal da temperatura em câmaras frias e congeladores, levando ao apodrecimento e descarte de produtos alimentícios frescos. A ação foi executada por atores não identificados que alteraram remotamente as configurações de temperatura sem autorização, afetando operações em vários países do continente.
As operações de varejo impactadas incluem a Ahold Delhaize e a Colruyt, que gerencia a rede Spar na Bélgica, além das redes Coop e ICA na Suécia. Na Irlanda, a Musgrave reportou danos em treze lojas da marca SuperValu. A Carrefour e pelo menos uma loja da IKEA também confirmaram a ocorrência de falhas nos sistemas de refrigeração. A Suécia e a Bélgica foram os locais onde os incidentes foram mais amplamente documentados, repetindo um padrão de ataque semelhante ao observado na França no mês anterior.
Os relatórios técnicos indicam que os sistemas comprometidos utilizavam a solução de controle de temperatura da Danfoss, uma empresa de tecnologia da Dinamarca. A Danfoss está coordenando esforços com seus clientes para resolver a falha de segurança. Em uma loja da ICA, a temperatura dos congeladores atingiu cinquenta graus Celsius, enquanto uma loja de carnes na Bélgica registrou um aumento para dezoito graus Celsius. Essas condições extremas causaram a deterioração imediata de carnes e alimentos congelados, resultando em perdas financeiras significativas para os varejistas.
O pesquisador de segurança Tom Hegel, da SentinelOne, destacou que o setor de varejo se tornou um alvo acessível devido à vasta quantidade de sistemas que as empresas gerenciam, incluindo controle de refrigeração, gestão de edifícios, controle de acesso e pontos de venda. O acesso a painéis de controle expostos à internet permite que os atacantes atuem sem deixar rastros digitais claros, dificultando a distinção entre ataques de amadores e operações de inteligência estatal.
Até o momento, nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos ataques e não houve relatos de pedidos de resgate financeiro. Essa ausência de exigências monetárias sugere que a motivação pode estar relacionada a ações de sabotagem ou operações de guerra destinadas a perturbar a cadeia de suprimentos de alimentos da Europa, em um contexto de tensões geopolíticas. O Centro de Segurança Cibernética da Bélgica expressou preocupação com o uso de inteligência artificial para identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas de tecnologia da informação e de tecnologia operacional de forma mais rápida.
O incidente serve como um alerta para a necessidade de integrar sistemas de controle físico e dispositivos de internet das coisas à arquitetura de segurança centralizada. A expansão dos ataques para a infraestrutura de varejo demonstra que os sistemas tradicionais, agora conectados para monitoramento remoto, representam uma superfície de ataque crítica que exige proteção reforçada contra ameaças cibernéticas sofisticadas.