IA · 22 de outubro de 2026
Lucros recordes na indústria de semicondutores contrastam com queda nas ações e concentração extrema de mercado
A inteligência artificial impulsionou as vendas de chips para o seu crescimento mais rápido desde a década de 1980, gerando lucros históricos para a TSMC e a Samsung, embora as ações do setor tenham caído mais de dez por cento neste mês devido a preocupações dos investidores sobre a duração desse ciclo de expansão. A indústria de semicondutores opera sob duas regras fundamentais observadas por mais de quatro décadas: o aumento constante no número de transistores nos chips e a inevitabilidade de que cada período de boom seja seguido por uma recessão. Enquanto a primeira lei se mantém válida, com processadores de inteligência artificial contendo atualmente mais de duzentos bilhões de transistores e projeções setoriais indicando que esse número pode atingir um trilhão até o final da década, a segunda lei gera incerteza entre os acionistas quanto à sustentabilidade do atual otimismo.
Apesar dos resultados financeiros impressionantes, com a TSMC reportando seu sexto trimestre consecutivo de lucro recorde e a Samsung Electronics registrando seu quarto período seguido de sucesso, o índice das principais empresas de semicondutores recuou mais de dez por cento desde o dia seis de outubro. O ceticismo foi reforçado por comentários de executivos do setor, incluindo o chefe da Broadcom, que comparou muitos investidores em inteligência artificial a jogadores de cassino que desconhecem os ativos em que aplicam seus recursos. Essa volatilidade ocorre em um contexto de consolidação extrema da produção global, onde a capacidade de fabricar os processadores mais avançados, essenciais para modelos de inteligência artificial desenvolvidos por empresas como a Nvidia, a Google e a OpenAI, restringiu-se a apenas quatro companhias no mundo todo, sendo que a TSMC é responsável por quase toda a produção de chips de alto desempenho.
O cenário de concentração repete-se no segmento de memória, vital para a operação de sistemas de inteligência artificial, onde mais de vinte fabricantes existiam em 1990, restando agora apenas três grandes produtores dominantes: a Samsung, a SK Hynix e a Micron. Embora a China tenha lançado novos participantes nessas áreas, a falta de acesso às ferramentas de fabricação mais avançadas mantém o país atrasado nesse nicho específico. Para capitalizar a demanda insaciável, as fabricantes dominantes estão realizando investimentos de capital sem precedentes, financiados inteiramente por seus próprios recursos e não por dívidas. Espera-se que os gastos de capital da TSMC atinjam aproximadamente sessenta e dois bilhões de dólares neste ano, um valor mais de uma vez e meia superior ao registrado em 2025, com previsões analíticas apontando para cerca de setenta e seis bilhões de dólares no ano seguinte.
A saúde financeira das gigantes do setor permite tal expansão, visto que os gastos de capital da TSMC em relação à sua receita devem cair de quarenta e quatro por cento em 2023 para trinta e seis por cento neste ano. A expansão das capacidades produtivas da TSMC consumirá pouco mais da metade de seu fluxo de caixa operacional, enquanto a Samsung utilizará apenas cerca de uma quinta parte de seus recursos para o mesmo fim. Além disso, a consolidação conferiu aos fabricantes poder para alterar as condições contratuais, migrando de vendas spot para acordos de longo prazo do tipo "compre ou pague", que transferem riscos para os compradores. Como exemplo dessa mudança, a Nvidia comprometeu mais de duzentos e cinquenta bilhões de dólares para garantir fornecimento e componentes até janeiro de 2029, enquanto os preços de certos tipos de memória aumentaram cerca de seis vezes desde o início de 2023.