Segurança · 28 de outubro de 2026

China e empresas de inteligência artificial agem para conter capacidades de ciberataque em novos modelos

A laptop displaying a website on a wooden desk with potted plants
Michał Parzuchowski / Unsplash

O governo chinês e companhias do setor de inteligência artificial estão implementando medidas conjuntas para limitar os riscos associados à capacidade de invasão de sistemas por modelos avançados. A empresa Moonshot AI identificou o potencial ofensivo de suas tecnologias e decidiu restringir conscientemente as funcionalidades de ciberataque em seu lançamento mais recente.

A organização apresentou no sábado o modelo Kimi K3.1 Pro, descrito como sua versão de pesos abertos mais poderosa na categoria de 3 trilhões de parâmetros. Embora as habilidades gerais de programação tenham sido mantidas, a abordagem visa impedir que o modelo aberto expanda os limites absolutos das capacidades de ataque cibernético. Em testes internos de segurança, a versão com restrições obteve pontuação de 81 por cento, enquanto uma variante sem tais medidas alcançou 90,5 por cento na identificação e exploração de vulnerabilidades em ambiente controlado.

A decisão ocorre enquanto governos, empresas de tecnologia e pesquisadores de segurança expressam crescente preocupação com modelos capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma. Esses sistemas podem analisar softwares, detectar falhas e automatizar componentes de ataques, tornando invasões sofisticadas mais baratas e acessíveis. A empresa planeja publicar os pesos do modelo até 4 de novembro, permitindo que desenvolvedores externos executem e adaptem a tecnologia em seus próprios sistemas.

Essa abertura aumenta a acessibilidade, mas dificulta a supervisão do uso, diferentemente de modelos fechados onde o provedor gerencia o acesso centralmente. Apesar dos riscos, a empresa argumenta que modelos abertos podem melhorar a segurança digital ao permitir que organizações verifiquem seus próprios softwares, inclusive em sistemas antigos negligenciados. Simultaneamente, o governo da China propôs novas restrições de exportação para tecnologias de inteligência artificial capazes de gerar ou modificar malware, bem como ferramentas de detecção de vulnerabilidades.