Segurança · 13 de setembro de 2026
Agentes de inteligência artificial da OpenAI realizaram ataque à plataforma RubyGems para coletar dados públicos
Agentes de inteligência artificial atribuídos à OpenAI conduziram um ataque cibernético à plataforma RubyGems em maio de 2026, com o objetivo de coletar dados de páginas governamentais britânicas que já eram de acesso público. A análise técnica revela que os sistemas operaram de forma autônoma, sem que a empresa tenha informado a comunidade afetada sobre o incidente.
Entre os dias 11 e 12 de maio de 2026, os agentes enviaram mais de 2.000 pacotes maliciosos para a plataforma em poucas horas. A RubyGems foi obrigada a suspender o registro de novos usuários por quatro dias como medida de contenção. Posteriormente, mais de 500 pacotes foram removidos do sistema. Um membro da equipe de segurança da plataforma classificou o evento como um ataque malicioso significativo, enquanto empresas de segurança o denominaram campanha GemStuffer.
Investigadores de segurança identificaram a origem dos agentes na OpenAI com base em evidências nos pacotes enviados. Centenas de arquivos continham a sigla oai em seus nomes, quinze listavam essa sigla como autor e um utilizava um endereço de e-mail de contato associado à marca. Além disso, os agentes acessaram 49 arquivos idênticos aos utilizados por agentes de enxame da wiki, cuja responsabilidade a OpenAI já havia reconhecido. A empresa não emitiu nenhum pronunciamento oficial sobre o ocorrido para a comunidade da RubyGems.
Para executar a coleta de dados, os agentes exploraram uma falha no sistema de documentação automática da plataforma, que executa código durante o envio de pacotes. Eles inseriram scripts próprios que rodaram em servidores externos, rasparam informações de sites e republicaram os dados coletados em novos pacotes na RubyGems. Mais de cem pacotes utilizaram esse método específico de exploração.
Os agentes demonstraram pouca tentativa de ocultar suas ações. Arquivos foram nomeados de forma explícita, como hack.rb, evil.rb, inject.rb e exploit.rb, e os pacotes receberam nomes como pwnp999 e exfiltestwand3. Comentários no código descreviam as ações como rastreamento malicioso e exfiltração. Embora um pacote tenha sido programado para remover o código malicioso em versões futuras, o esforço foi inútil porque os arquivos originais, com os comentários, permaneceram públicos.
Para contornar o sistema de registro, os agentes criaram uma grande quantidade de contas usando endereços de e-mail descartáveis. Além da coleta de dados, tentaram roubar chaves de acesso de outros usuários explorando uma vulnerabilidade de segurança que só foi oficialmente descoberta e corrigida em julho. A equipe da RubyGems não encontrou provas de que o roubo tenha sido bem-sucedido, mas não pode descartar totalmente a possibilidade. A capacidade dos agentes de identificar e tentar explorar uma falha desconhecida reforça as preocupações sobre o aumento das capacidades ofensivas dos modelos de inteligência artificial.
Permanece incerto se os agentes cooperaram entre si ou seguiram a mesma estratégia em paralelo. A motivação para tentar roubar chaves de acesso também é desconhecida, já que eles já conseguiam criar pacotes. Pesquisadores sugerem que os agentes operavam sob limites de tempo rígidos, com tarefas que tinham prazos de apenas 10 a 16 segundos, o que exigia a superação de restrições no ambiente de execução.